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O Carnaval

22 fev

Cordão do Boitatá

O carnaval é vivido, muito bem vivido, mas não consigo, depois que ele passa, não pensar no quanto a vida toda não podia ser vivida mais assim. Como voltar às vestes quase mortuárias que uma sociedade do trabalho européia impôs a um país tropical como o Brasil? Como voltar ao não poder conhecer e beijar uma pessoa pela primeira vez em qualquer lugar da cidade e em qualquer hora do dia? Como voltar ao não falar com quem é desconhecido no cotidiano? Como voltar a rotina de trocar um tanto de trabalho por um pouco de dinheiro e com sorte um pouco de prestígio? Como voltar a qualquer situação na qual a música, a dança e o humor não ocupem a maior parte do dia?

O carnaval não é muitas coisas, o carnaval não é a panacéia, tampouco é uma catarse que legitima por alívio as mazelas e opressões do resto do ano. O carnaval não anula – nem temporariamente – as classes, o carnaval não anula o racismo, o carnaval certamente não anula o machismo. O carnaval não é o samba, o carnaval não é o axé, o carnaval não é o frevo, o carnaval não são as fantasias, o carnaval não é a pegação, o carnaval não é um lugar, o carnaval definitivamente não é os desfiles de escolas de samba.

O carnaval não é o que as televisões mostram, pois por gênese e evolução a televisão no Brasil não consegue fazer outra coisa que não reafirmar o poder, seja ao falar trânsito matinal ou da expansão do universo, a transmissão do carnaval está inclusa nesse vício de ser da mídia brasileira. O carnaval não é a festa da carne, o carnaval não é o feriado, o carnaval não é a cerveja nem a cachaça, o carnaval não é a música. O carnaval não tem dois lados, o carnaval não tem três lados, o carnaval não tem sequer uma infinidade de lados, tampouco é fractal, o carnaval não é descritível de forma cartesiana, mas nem por isso ele não deixa de trazer algumas certezas.

O carnaval é a promessa que as relações entre as pessoas podem ser diferentes.

É o brincar com os desconhecidos ao redor; é a senhora negra e humilde sozinha na mesa ao lado com uma porção de frango a passarinho que nome aqui já não tem mais, que para por um momento para nos explicar porque os jurados não vão entender as três camadas de significado que ela vê no desfile da Unidos da Tijuca; é o sujeito com forte sotaque do sul que olha minha fantasia e brinca “- Exagerou!”; é o olhar triste da menina que diz sem palavras que quer me beijar, mas não pode no momento. É beber um pouco de confete a cada gole e não achar ruim. É a fantasia coletiva combinada com os chegados. É o humor transbordando largamente sobre as cinzas do cotidiano. É um hoje se livrando das eternas promessas, deveres e desafios que o amanhã sempre traz, é o se ver livre do tempo pela duração de um pouquinho do mesmo. O carnaval são todas as pracinhas centrais de todas as cidades do Brasil se iluminado com risos e cores, e as cores dos risos iluminam mais e são mais belas que as das fantasias.

De muitas outras maneiras o carnaval é uma daquelas coisas para as quais a linguagem humana ainda não se encontra evoluída o suficiente para colocar em estruturas de palavras, talvez nunca esteja. O carnaval é também todas aquelas entrelinhas que não se deve esmagar com palavras*

O carnaval também é – e devemos fazer com que deixe de ser – o senhor idoso catando latinhas; a menina, uma criança mesmo, vendendo balas e tiarinhas piscantes; todos os trogloditas que arrancam beijos a força; aqueles representantes que o usam para se promover; aquelas poucas marcas de bebida que impõem seu oligopólio. O carnaval são as mãos em sangue dos músicos tocando por amor, mas também as mãos em sangue de músicos tocando por pouquíssimos rendimentos. O carnaval é isso tudo apenas devido aos tempos burros, brutos e primitivos nos quais vivemos, nada disso está inscrito em sua alma. Sim, o carnaval tem alma, mais que alma o carnaval tem almas, e elas se parecem com a descoberta do corpo como fonte de prazer, com a primeira feita em que se sente uma paixão, com o rir até chorar com os amigos, e com a sensação de se ver um filho brincar com um brinquedo pela primeira vez.

Odeio, e defendo que devam ser odiadas, as frases do tipo “- Se você não fez isso você não viveu.”, ou ainda “- Se você não foi a tal lugar você não sabe o que é tal coisa.” – uma pessoa pode ser feliz sem nunca ter saído de Brasiléia, no Acre, assim como pode ter viajado o mundo todo e ser infeliz – mas apesar disso sugiro a todas as pessoas que puderem e quiserem um dia brincar o cordão do Boitatá na Praça XV no Rio. Belo, belo, beleza, parte da beleza que lutamos para trazer para o cotidiano de cada ser humano no mundo pode ser encontrada lá. É um de meus pequenos exemplos para a beleza que outros encontram cada um no lugar que esteve, e o carnaval é um sábio e generoso doador de beleza nas suas mais diversas formas.

O carnaval para mim este ano no Boitatá foi o chorar mais que de alegria, foi o chorar de beleza , pura resposta ao cordão tocando Villa-Lobos no aquece, mas foi também o chorar de tristeza ao perceber que perdia para sempre um grande amor. Até a dor mais aguda da alma o carnaval toca e confere uma beleza grave, uma beleza dolorida, que continua bela, mas é sempre dor. Encontrar e perder amores é parte constituinte e inextricável do carnaval.

A palavra “melhor” é sempre carregada do que é pessoal para quem a fala, é uma das palavras que mais se enrosca com a empáfia e a pedância nos desvãos do cotidiano, mas o carnaval acha um uso certeiro e absoluto para ela, o carnaval do Brasil é o melhor do mundo.

Como não ficar obstinadamente a pensar em como fazer com que o dia-a-dia seja um pouco mais como o carnaval? Como não ponderar sobre em qual tipo de sociedade isso, entre tantas outras coisas, seria possível e em como fazer para se chegar lá? Respostas há várias, e todas são coisa outra que não o que está posto.

Viva o carnaval, vivamos o carnaval!

 

* Essa frase é de Clarice.

O Videoteipe é burro

8 mai

E não só ele, o áudio que o acompanha também. Nelson Rodrigues, com completa razão, afirmava que o videotape era burro, mas por outros motivos, mais sábios e profundos. E se no que nos diz respeito o videoteipe não é burro, ao menos se pode  afirmar com muita tranqüilidade que o videoteipe na transmissão de televisão de futebol brasileira está muito burro.

É apenas senso comum, já difundido e assimilado, que nenhum sistema de inteligência ou segurança pode ser mais inteligente que o mais burro de seus operadores. Do mesmo modo nenhum sistema de transmissão de jogos de futebol pode ser mais inteligente do que o diretor de imagens designado para o jogo, do que a equipe de cobertura ou do que as diretrizes da emissora que o transmite.

Nas transmissões de jogos de hoje, a seleção de imagens que serão passadas novamente, seja imediatamente, seja no intervalo, se baseia numa visão ranheta do futebol, no qual a violência, independentemente de onde ocorra, prevalece sobre a arte sempre que esta se realizar longe do gol adversário. Sinal dos tempos talvez. O que sei é que já vi mais vezes a pancadaria gerada pro aquela brincadeira do Edilson do que uma matada de bola do Romário, num passe de 40 metros, tirando o zagueiro já na matada (Por que dominar uma bola virou “matá-la”?), também andei procurando uma jogada do Zidane no qual ele mata a bola de costas para o lado do ataque, ainda no ar vira, dá uma petecada na bola e sai jogando pro lado certo antes de tornar ao chão, não acho,  é mais fácil até encontrar para rever a violência do que belas jogadas.

Chutes a gol bisonhos, que tem até divertidas narrações específicas, e faltas violentas são repetidos ad nauseam, enquanto matadas de bola que beiram o primor e dribles que poderiam estar expostos em qualquer bienal se encaminham, resignados, para o ostracismo (uma pequena cidade em Minas Gerais). Quanto mais violenta uma falta, mais vezes esta será repetida. Talvez seja um repetição do mesmo raciocínio que leva a televisão a passar tantas vezes “Rambo” e tão poucas “O Carteiro e o Poeta”, talvez tenha um pouco do sangue que tinge os jornais enquanto as boas notícias são aninhadas no miolo dos cadernos, e com chamada discreta, talvez não tenha nada a ver. Vivemos mesmo em um mundo no qual a violência vende mais do que a arte?

Outra moda das transmissões de TV é filmar o técnico a cada sete minutos e passar cinco segundos da imagem dele esbravejando ou parado. Acabam afirmando, mesmo que subliminarmente, que se ele está gritando, então está ajudando o time, se ele está parado, então é apático. Exceção feita aos casos no qual o jogo já está ganho para alguma equipe. Além de não acrescentar dados ao telespectador, essa prática de filmar o técnico traz julgamentos errôneos sobre a competência do técnico cuja eficácia a simples menção do nome Feola* já desmente.

Quanto ao impedimento, o mesmo excesso se repete, se o lance foi óbvio, uma repetição bastaria, já se o bandeirinha errou num lance incrivelmente difícil, o time prejudicado foi “garfado”, e lá vai o lance repetido doze vezes (duas seriam mais do que suficientes), por fim, se o erro foi crasso, fica fácil de ver e uma repetição também daria conta do recado. A única solução humana para os erros em lances extremamente difíceis de impedimento seria contratar para bandeirinha somente pessoas estrábicas, e com o estrabismo divergente – a única condição humana através do qual é perfeitamente possível observar o passe e a linha de impedimento ao mesmo tempo.

Outro momento sensacional de nossas transmissões é quando a imagem, o jogo que está passando na tela e a análise tem tantas semelhanças quanto uma mitocôndria e a convenção de Genebra, ou seja, nenhuma. Sempre que o time supostamente mais fraco está ganhando ou arrancando um empate absolutamente improvável é demérito do time maior, jamais qualidade da equipe que cumpre o papel da zebra. Mesmo que as imagens mostrem exatamente o contrário, que a equipe grande está jogando um jogo normal e que o time pequeno esteja arrasando, se superando. Isso quando a equipe de transmissão não se propõe a fazer uma análise do sentido geral do jogo aos quatro minutos do primeiro tempo:

Cenas que gostaríamos de ouvir:

- E aí João, dá para afirmar que o Ibitira está mais consistente?

­Momento no qual a única análise decente seria:

- Não dá para saber José, o jogo acabou de começar.

Outra mania consolidada nas transmissões de futebol é dar emoção através da narração a um jogo que pelas imagens que vemos não a tem. Se o jogo está chato, está chato, não deveria ser um pecado apontar isso na transmissão.

No capítulo ranhetice, que é todo um mundo de visão sobre o futebol como uma coisa séria, há um único comentarista na Bandeirantes que é tão ranheta que faz todo mundo voltar para a Globo, que é justamente de onde estava se fugindo. Outra invenção moderna é o comentarista ranheta de arbitragem, o que é completamente diferente do jeito mesmo que involuntariamente divertidão , com o qual Mário Viana, por exemplo, comentava.  A regra é clara, mas os lances não, como a primeira só pode ser aplicada sobre os segundos, a frase fica absolutamente sem sentido ao invés de ficar com o sentido absoluto que pretendia.

Cenas que gostaríamos de ouvir:

-E aí Peçanha, o árbitro foi bem?

-Não sei Bigode, estava olhando os jogadores.

No universo ranheta bom é ser “guerreiro”, “lutador”, tem que levar o jogo a sério, tem que levar o adversário a sério. Nesse lugar triste, o universo ranheta, é justo dar um pontapé num jogador que está “abusando” de “jogadas de efeito”, como dribles bonitos debaixo das pernas, chapéus e dos toques de calcanhar. Um neurocirurgião tem de ser sério, um jogador de futebol tem de jogar futebol, e isto não tem nada a ver com ser sério. Quando você sinceramente começa a achar que vinte e dois marmanjos de shortinho tentando chutar uma bola num retângulo é uma coisa séria, está na hora de você parar e repensar uma série de coisas.

No universo ranheta, concentração é lei.

Ao contrário de outros profissionais bem remunerados, para os quais o que vale é o que realiza no seu horário de trabalho, no universo ranheta o que um jogador faz nas suas horas de lazer deve ser discutido e muito. O critério para um ranheta nunca é apenas o campo. Êta lugar ranzinza.

Há também um outro capítulo a parte na transmissão televisiva atual, que é o das platitudes, também conhecidas como banalidades, obviedades, senso comum, comentários sem originalidade. Só a transmissão das finais dos estaduais daria para encher um livro com falas como “jogar em casa é uma vantagem”, ou, para um time que acabou de ter um jogador expulso ou tomar o terceiro gol, “-Agora ficou mais difícil para o Pirapora!”,  ou quando está zero a zero, “O jogo está indefinido”, isso entre toda uma coleção de “Quem não faz toma”, “tem que ocupar o meio de campo”, “um gol agora é importante” etc, são vazios que preenchem lacunas. Nesse capítulo, a cena que mais gostaríamos de ouvir é:

- Um gol agora muda a história do jogo, Janir!

-Dããã Célio.

Enfim, assistir essas transmissões é um grande desafio para os ouvidos, para a inteligência e para a alma. Será que teremos que esperar o advento de um mundo mais justo para ver futebol com algum bom humor, inteligência e arte? Não, não precisamos, Milton Leite está aí para provar que é possível, mesmos nestes tempos, transmitir futebol como a bela e divertida brincadeira que é.

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*  Vicente Italo Feola – técnico do Brasil em 1958 e 1966, era acusado pela mídia de dormir no banco de reservas.

Este texto é dedicado a meu amigo Porpetta, que sofre de flamenguismo agudo.

Guilherme Flynn – Maio de 2011

Uma Virada Cultural

17 abr

Não há Virada, há viradas, e tantos são os percursos possíveis que formam um número finito, mas potencialmente ilimitado de vivências. Curtir a virada passa por entender que você vai fazer a sua e tirar da cabeça a bitolação de tudo que se está perdendo, do que se está deixando de ver.

É quase um exercício se libertar de todas as formas de pensamento que socam na nossa cabeça, de “custo de oportunidade”, de “taxa de aproveitamento” e de outros maquinismos do tipo. Da sensação de perda por não ver, por exemplo, o show da Rita Lee ou da Orkestra Rumpilezz, para dar uma boa e necessária dormida num dos cinemas que ficam abertos passando filmes ou na casa de algum conhecido que more pelo centro. Fiz uma virada pacata e basicamente musical, embora tenha trombado e apreciado uma dezena de espetáculos de artistas pelas ruas. Pileque leve e pegação nula. Fui tranqüilo, ver, ouvir e dançar. Ainda assim a Virada nunca é só boa de se ver e ouvir, a virada também é muito boa de se pensar e sentir.

Na Virada gosto de andar pelo meio da rua, só pelo meio da rua, retomando o direito roubado pelos sujos e barulhentos automóveis.

É divertido ver o constante abrir e fechar de programações/mapas, pessoas, além das de fora, paulistanas mesmo, meio que se tentando se localizar no centro, vendo o mapa para pensar o caminho da Praça Dom José Gaspar para a Estação Júlio Prestes, ou da Libero Badaró para o Arouche. Sejam bem vindos! Este é nosso centro, o centro de nossa cidade, eu também aprendi um tanto tarde a me deslocar pelas suas ruas e, para ser bem honesto, mesmo tendo morado por quase três anos no centro, ainda me perco um pouco lá pros lados da feirinha dos bolivianos.

No pleno domingão lindo de sol gostei de ver o belo prédio Eiffel, projeto do Niemeyer, cumprindo a função de caixa de som que sempre pareceu e repercutindo num eco oco o batuque do encontro de baterias (que dizem ser a maior bateria do mundo). Aliás, bem ali, um pouco depois da esquina da Praça da República com Rua do Arouche para quem caminha no sentido da Marquês de Itu, há um pedacinho da calçada, um mirante urbano desconhecido e despercebido, no qual se tem em vista ao mesmo tempo o Edifício Eiffel, o Edifício Itália e uma pontinha do Copan. Meu mirante secreto mesmo que exposto e mil vezes caminhado todos os dias por milhares de pessoas tão atarefadas que muitas vezes se esquecem até de olhar para o céu.

O que me apaixona e maravilha na Virada Cultural não é nem tanto, o colorido, as pessoas, a revogação ainda que precária, temporária e um tanto falsa do espaço das classes, do racismo e homofobia, e toda aquela discussão que fica entre documento da UNESCO e propaganda da Benetton. Não é isso, é a alegria, é o estar bem, é São Paulo que deixa de ser o monstro cinza e incrivelmente irritante dos congestionamentos e passa a ser a São Paulo das pessoas, são as pessoas na cidade, as pessoas pela cidade, o centro, o centro de São Paulo e sua beleza que se aprende a ver.

Listo abaixo apenas algumas bandas e alguns dos momentos que saboreei nesta virada.

Para além das multidões que dormiram nos gramados da República me chamou a atenção um indivíduo que achou por bem, com sua calça jeans e camisa pólo, dormir na calçada da Rua Aurora entre a São João e a Vieira de Carvalho. Não foi aquela dormidinha elegante, aninhada como um gato num cesta de roupas, era uma posição pouco graciosa, perpendicular ao meio fio. Pois bem, ao ir ao show do Skatalites lá estava o sujeito na posição mencionada, e um detalhe chamou particularmente minha atenção: trajava apenas uma meia, a do pé esquerdo. Esqueci mediatamente a cena e jamais teria pensado de novo nela se não fosse pelo seguinte detalhe: Ao voltar do show do Skatalites, algo como duas horas depois, encontro exatamente o mesmo sujeito, exatamente na mesma posição, mas sem a meia no pé esquerdo! Que país curioso, quem será o indivíduo que teve a pachorra de roubar apenas um pé de meia, o pé restante?

Beatles 24 horas

Fã que sou, não podia deixar de dar uma passada por lá, vi um pedaço do Rubber Soul, meu favorito – nem lembro mais porque – e o Revolver, os caras executaram muitíssimo bem as músicas, com paixão e bom humor. Durante o show inventei sem querer uma bebida estranha que era caldo de cana, caju e uísque. A diversão da galera era discutir qual era o combustível secreto por trás da banda para agüentar todo esse tempo. Voltando da São Bento passei lá às três da tarde de domingo e os caras estavam tocando ainda, na hora era o Past Masters Vol. 1.

Curioso como associo cada álbum dos Beatles com alguma pessoa, o Please com meu pai, pois era o único LP de rock que eu me lembro que conseguiu furar o duro bloqueio de samba e música clássica e galgar um lugar na prateleira; o Magical Mistery Tour com meu irmão que confeccionou na mão uma capa artística e lisérgica para sua cópia pirata; o Revolver era o favorito de uma certa Júlia que conheci faz anos; o White Album com meu amigo Lemmi, que certa vez pôs por engano a chatíssima Revolution 9 na jukebox da FunHouse e tomou uma tremenda vaia da galera.

Toni Tornado

Uma passada rápida no show, valeu por ter encontrado o Fábio Senne, amigo que eu não via faz muitos anos e por ouvir a música “Primavera” do Cassiano e Silvio Rochael (Trago essa rosa… para lhe dar…. trago essa rosa… para lhe dar….meu amooooor).

Orquestra Voadora

Foi a primeira vez que tocaram em Sampa, e mandaram bem, mandaram bem praca! Encararam um público que não os conhecia, num palco que não tinha a ver, respiraram fundo e sopraram seus metais e ressoaram seus tambores.

O povo, e a maioria da frente era de cariocas ou de paulistas que realizam a migração anual para os blocos de rua do Carnaval do Rio, provocou a banda gritando “-Desce! Desce!”, e a Orquestra Voadora, que tinha lá suas razões de estar brava por ser colocada num palco depois de Marina Lima, Elymar Santos e Banda Mel- ou seja meio deslocada- , comprou a provocação, desceu ao chão e tocou mais meia hora para os bravos que resistiram até as seis e meia da manhã. Girei com eles pelo chão em círculos frenéticos, não concêntricos e fiquei orgulhoso de, nesse horário e nesse estado, conseguir dar aquela célebre dançada entre o ska e o ritmo balcânico, levantando os joelhos bem alto em pulos empolgados.

DJ Dolores y Orquestra Santa Massa

Peguei esse show com os que sobraram da Orquestra Voadora, Vitinho e Gustavo, os nomes são reais, mas as pessoas – e quem os conhece sabe do que estou falando – parecem fictícias. Se depois das cinco simplesmente desisti de tentar entender o que essas pessoas estavam falando, nessa altura o português deles lembrava algo como um sânscrito com sotaque aramaico. Encontrei também neste show o Márcio que, como ele mesmo diria, estava mais louco que o cabeleireiro do Coringa.

Puta show. O vocalista do Eddie toca junto, o Dj Dolores dispensa apresentações e a orquestra como um todo pode ser caracterizada por uma série de adjetivos enfáticos positivos. Vá você descrever a maravilha de uma rabeca tocada no jeito. Tentei umas cinco onomatopéias que simulassem o som da rabeca, não deu certo. É melhor ouvir aqui.

Skatalites

Por fim, o começo. O Skatalites, junto com o Ethiopians, foram as bandas que o Alex me apresentou e que fizeram que eu me apaixonasse pelo ska. O clima estava bom, a lua apareceu, cheia e bela, por entre as nuvens. Uma névoa estranha e risonha cobriu a São João, que por um dia virou uma coffee shop holandesa a céu aberto. Os cigarros legais estavam mais raros que os naturais, várias pessoas se aproximavam e, ao ver que eu estava fumando um velho e careta filtro vermelho, recuavam enojadas. Latin Goes Ska é música maravilhosa que gruda na cabeça que nem o PMDB gruda em quem estiver no governo, e que eles tocaram com maestria. Já Guns of Navarone é uma música que escuto há dez anos, que assobio no banheiro, que cantarolo vindo do ponto de ônibus para casa, que coloquei no começo de todas as festinhas nas quais toquei. Quando começaram a tocar essa música eu, meu irmão, o povo na sacada, todo o público que estava na São João, simplesmente deliramos. Foi muito bom!

Enfim, pela significação, pelo clima, pela lua, showzasso.

A Virada Cultural como um todo é um presente, um reencontro dos paulistanos e de quem quiser com São Paulo, e a arte, música e todas as demais artes presentes, é a arte.

A única falta mesmo, a única imperfeição dessa virada, foi que faltou Cíntia.

Guilherme Flynn Paciornik – 17 de Abril de 2011

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O espaço abaixo, dos comentários, é uma janela para interação, as vivências de cada um na Virada, as viradas são mais que bem vindas, são desejadas. Solte o verbo! (a imagem, e o som não sei se dá nos comentários, mas damos um jeito).

Para quem não conhece, a Virada Cultural, é uma evento cultural que acontece em São Paulo uma vez por ano, concentrada no centro da cidade mas também com eventos espalhados. Tem uma programação absurdamente vasta e boa, e é um momento feliz das pessoas com a cidade.

Teste – Verdadeiro ou Falso

14 abr

Assinale entre os parênteses ao lado de cada sentença se esta é verdadeira, (V), ou falsa (F). Escreva as respostas com sangue ou óleo (não precisam ser seus). Entregue em patas. Em caso de dúvidas, procure formas de resolvê-las. Duração do teste – 90 anos.

1.  A espécie humana é capaz de coexistir com as demais espécies e com o planeta em longo prazo.  (   )

2.  Toda verdade cresceu assassinando outra verdade em potencial.  (   )

3.  A razão é um conceito defeituoso destinado ao oblívio.  (   )

4.  É possível aprender sobre o Ser com as culturas indígenas.  (   )

5.  No mundo ideal o conflito não existe.  (   )

6.  O trabalho dignifica.  (   )

7.  Cogito ergo sum.  (   )

8.  A ciência funciona como uma religião.  (   )

9.  Algumas formas de teorização atrapalham a luta política.  (   )

10.  É preciso escolher entre fazer dinheiro e fazer sentido.  (   )

11.  “There is special providence in the fall of a sparrow”.  (   )

12.  Deus existe.  (   )

13.  O tipo de comunicação que as redes sociais tendem a estabelecer é inautêntica.  (   )

14.  O sentido é uma definição contingencial.  (   )

15.  O universo é uma defecção de um multiverso.  (   )

16.  A humanidade está rumando para outra forma de funcionamento.  (   )

17.  O sujeito histórico não é um dado, é uma construção.  (   )

18.  Nietzsche está certo.  (   )

19.  Qualquer sentença tem pressupostos lógicos, epistemológicos e ontológicos.  (   )

20.  É possível conciliar autodeterminação dos povos com Direitos Humanos.  (   )

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P.S  Aos chegados: Não se assustem muito não, estou só experimentando umas idéias de fundo. É preciso muita confusão para gerar certezas precárias.

São-paulinos e Corintianos

25 mar

Faz pouco tempo um amigo, Dmitri, me acusou de ter me divertido mais com o time dele do que com o meu nos últimos dois anos, como é sábio dar razão ao interlocutor quando este a tem, não discordei.

Refletindo sobre a questão e observando a não-delicada rede de relações e provocações entre corintianos e são-paulinos (e corintianas e são-paulinas, dito esteja) compilei abaixo os principais argumentos, reações e pensamentos – mesmo secretos e não admitidos – que apreendi nessas relações entre torcedores(as) de ambos os times:

Um jeito de irritar um são-paulino é dizer que o grande clássico paulista é o Corinthians contra o Palmeiras, o Derby Paulista.

Um jeito de irritar um corintiano é dizer (infelizmente de uma forma um tanto homofóbica) que quem gosta de torcida e de ver macho sem camisa devia ir é numa sauna, porque quem gosta de futebol vai ao Morumbi ver o tricolor.

Corintianos: Inveja de um estádio para chamar de seu.

São-paulinos: Certa inveja do tamanho e da presença de estádio da torcida do Coríntia.

Corintianos: Inveja das festas e alegrias são paulinas nas comemorações de seus três títulos da Libertadores e de seus três títulos mundiais.

São-paulinos: Inveja profunda da relação com time que os corintianos têm na derrota, de reafirmá-lo.

Corintianos: Inveja da qualidade do futebol que o São Paulo apresenta mais comumente, e que o Coríntia só apresenta uma vez por década.

São-paulinos: Certeza secreta, não confessada nem para o pai em seu leito de morte, de que – na arquibancada – é mais gostoso ver jogo no Pacaembu do que no Morumbi.

Corintianos: Raiva da pedância e da fleuma novo rico, ambos falsos, que o são-paulino médio ostenta, e de sua defesa do estádio do Morumbi em oposição à avenida marginal sem número, onde fica a Fazendinha.

São-paulinos: Ódio da demagogia corintiana de se auto-intitular “O” povo, “OS” verdadeiros brasileiros, “O” Brasil real, posição encontrada com um frequência de cem por cento no caso dos corintianos progressistas.

Corintianos: inveja secreta da diretoria são-paulina que, apesar de em essência não ser diferente das demais cartolagens, produz a aparência de deixar a casa minimamente em ordem.

São-paulinos: Desconfiança profunda, quase certeza, de que o Brasileiro de 2005 só foi para o Coríntia porque uma das máfias com as quais os cartolas corintianos costumam se associar literalmente comprou todo mundo.

Corintianos: Um prazer de relembrar sempre que possível que faz quase quatro anos que o São Paulo não ganha do Coríntia, e de, depois de cada clássico recente no qual o São Paulo, mais uma vez, perde para o Coríntia, perguntar: – CPF na nota?

São-paulinos: Prazer inenarrável de brincar dizendo que este ano o Carnaval caiu em março e o Coríntia em fevereiro, ou de dizer que o Coríntia caiu antes até do Mubarak.

Corintianos: Tem a certeza de que um são-paulino não consegue entender o que é a paixão corintiana, o que é gostar de um time como ele gostam do Coríntia, o que lhes dá ao mesmo tempo uma pena dos são-paulinos por não entender essa paixão e uma raiva de si mesmos por não conseguir explicá-la de forma alguma através de palavras.

São-paulinos: Uma relação meio doentia de torcer contra o Corinthians independente do adversário, e de obter um prazer considerável com isso.

Percebi que teria de rever minha posição e minha satisfação ao ver o Corinthians se dar mal, após a eliminação do mesmo da Libertadores de 2010, ocasião na qual um vizinho próximo, após o jogo, gania de tempos e tempos, dentro de seu próprio quarto : -Vai Curíntia!

Ao longo da noite este mesmo torcedor acordava de meia em meia hora e chorosamente repetia seu bordão: – Vai Curíntia! Ao invés de sentir empatia e pena, sentimentos normalmente mais condizentes com o sofrimento humano, eu me regozijava internamente com estes balidos.

Um exemplo da psique da questão: Se o Boca goleasse o São Paulo por 7 a 0 numa final de Libertadores e no ano seguinte o mesmo Boca pegasse o Curíntia na final, os tricolores torceriam fervorosamente pelo time argentino (com exceção de alguns que torceriam para um meteorito atingir o estádio).

Corintianos: Uma certeza secreta de que o Coríntia, e suas mazelas, é muito mais importante para os são-paulinos do que o São-Paulo é para os corintianos, de que eles se importam muito menos com o time dos outros do que os outros se importam com o Coríntia.

São-paulinos; Uma inveja grande por seu time nunca ter tido nada parecido com a democracia corintiana.

Corintianos: Não admitem que gostariam de ter o mito Rogério Ceni no seu time.

Ambos: Têm uma admiração profunda pela qualidade do futebol do Santos. E gostariam de ter o Ganso em seus times.

Ambos: Sentem certa falta secreta do Palmeiras como oponente de verdade, pois nos últimos tempos esse time, com seus oito volantes em campo, lembra mais uma equipe de rúgbi do que de futebol.

Ambos: Odeiam a CBF e as mazelas pelas quais esta faz o futebol brasileiro passar.

A única certeza e conclusão definitiva que se pode afirmar cientificamente e de acordo com os métodos mais acurados de análise já inventados, é que seria bem menos divertido morar em São Paulo não fosse essa rivalidade.

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Dedico esse textinho a meu amigo Dmitri Cerboncini, que tanta alegria me deu com seus pitis por causa de qualquer provocação sobre o Corintia.

Esse é um texto aberto, sugestões pertinentes (e o critério sou eu, hehe, esse texto não é uma democracia) serão anexadas ao texto.

A grafia Coríntia foi escolhida porque, cá entre nós, ninguém fala Corinthians, e porque a grafia Curíntia, devido à analogia com a forma popular de se referir a uma parte do corpo humano, pode soar ofensiva.

Guilherme – Março de 2011.

Quem quer ser um milionário?

10 mar

Mais um texto de Pedro Ekman que, não se sabe bem porque, escolheu esse blog como veículo (bicicleta no caso) de sua farta produção. Lá vai:

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Quem quer ser um milionário?

A riqueza de 10 pessoas é mais de 120 vezes maior do que a riqueza que o país com pior índice de desenvolvimento humano consegue produzir em um árduo ano de trabalho. O contraste que esse dado revela já não causa tanta indignação em uma sociedade que acha natural as diferenças produzidas pelo capitalismo, e que comemora os grandes feitos financeiros lamentando a inevitável condição miserável de alguns pobres coitados que ainda não “aprenderam” como ser bem sucedidos nas regras da selva econômica.

Pois bem, não se conformando com a naturalidade dessas diferenças e acreditando na capacidade da humanidade de ser solidária consigo mesma, os socialistas propõem a divisão igualitária da riqueza socialmente produzida. Socialistas ou não, os trabalhadores que não conseguem acumular riqueza, dado seus baixos salários e alto custo de vida, também pedem para que sejam melhor distribuídos os ganhos com a produção. Como geralmente os ricos não estão muito dispostos a abrir mão da sua riqueza, esses pedidos são feitos não em conversas do chá da tarde no clube de campo, mas em greves e protestos. Infortunadamente alguns não-ricos acabam se cansando das negociações ou até mesmo perdem a crença na solidariedade humana e partem para iniciativas individuais mais violentas de distribuição direta da riqueza, como assaltos e seqüestros.

Talvez os ricos não queiram dividir sua riqueza por terem medo de que o resto da humanidade, em um ato de crueldade e vingança, os obrigue a viver apenas com um salário mínimo. Talvez os pobres tenham que ser mais compreensivos, pois pode ser que os ricos tenham que se acostumar com a idéia aos poucos. Será que eles teriam menos medo de distribuir a riqueza se percebessem que para isso não precisam deixar de ser ricos? Como reagiriam a pergunta: Quem quer ser um milionário?

A pergunta é de fácil resposta para bilhões de seres humanos espalhados pelo globo, mas não é tão simples para os raros bilionários entre nós. Se o plano der certo, em uma bela tarde no clube de campo, o tilintar das xícaras de chá brindarão uma nova lei geral para a humanidade: “Fica proibida a acumulação de fortunas bilionárias. Cada centavo que ultrapasse a quantia de US$ 999.999.999,99 deve ser imediatamente revertida para quem ainda não possui tal quantia, na ordem do mais pobre para o mais rico.”

Isso pode soar menos ofensivo para os ricos. Para se ter uma idéia das conseqüências desta nova proposta, analisemos o que aconteceria com os extremos da questão. Os dez indivíduos mais ricos do planeta acumularam a bagatela de 426 bilhões de dólares em patrimônio pessoal. Coincidentemente nenhum desses abonados indivíduos vive no Zimbábue. Esse país, que não teve a sorte de nascer em berço de ouro, produz uma riqueza equivalente a 3,5 bilhões de dólares por ano. Se a regra fosse aplicada apenas a esses dez senhores (nenhuma mulher pertence ao grupo), cada um dos 13 milhões de cidadãos do país com as piores condições para se viver poderia contar com 32 mil dólares para tentar estruturar melhor a vida daqui para frente. Se entendermos que melhor do que o distribuir o dinheiro para a população seria realizar investimentos em programas sociais, teríamos um impacto US$ 426 bilhões aplicados de uma só vez em um território acostumado a ver US$ 3,5 bilhões ao longo de um ano todo. A mistura das duas soluções também seria fabulosa.

Certamente cada um dos dez senhores mais ricos do mundo conseguiria levar uma vida digna e confortável com a parca quantia de 999 milhões de dólares tendo apenas que suportar o trauma psicológico da perda do título de bilionário para se acostumar as ser tratado como um reles milionário. Para iniciar a prática de desapego material o homem mais rico do mundo, o investidor americano Warren Buffett teria que abrir mão de 61 bilhões de dólares. Já o menos rico dos top ten, o varejista alemão Karl Albrecht, teria que se desfazer apenas de 26 bilhões de dólares e um centavo dos seus 27 bilhões acumulados.

Parece claro que existência de poucos homens muito ricos implica necessariamente na condição de que muitos mais precisem permanecer pobres. Ainda assim, se uma tragédia provocada pelos próprios seres humanos não é suficiente para convencer os abastados a assumirem outra postura perante humanidade, tentemos uma comparação com tragédias de fato naturais.

Recentemente um terremoto devastou o Haiti que já era o vigésimo quinto pior país do mundo para se viver. Os Estados-membros das Nações Unidas e parceiros internacionais prometeram US$ 5,3 bilhões para os primeiros 18 meses da reconstrução deste país, mas entregaram até hoje apenas US$ 824 milhões. Os melhores números falam em um valor total prometido para os próximos três anos de US$ 9,9 bilhões, vindos de 59 países e organizações internacionais. Se levarmos em consideração as melhores previsões, o mundo estará oferecendo ao Haiti US$ 3,3 bilhões por ano por um período menor do que o de um mandato presidencial. O Haiti antes da tragédia, com suas forças produtivas a pleno vapor, tinha um Produto Interno Bruto anual de US$ 6,4 bilhões e ainda assim possuía o vigésimo quinto pior IDH do mundo. A comunidade internacional, mesmo mobilizando a riqueza produzida por pobres e ricos (dinheiro público) não foi capaz de oferecer para a reconstrução de um país devastado e sem qualquer capacidade produtiva mais da metade do que ele produzia em plenas condições.

Uma vez que os dez homens mais ricos do mundo já estão comprometidos com o Zimbábue, apelemos para outros dez que com apenas um click seriam capazes de aportar uma quantia considerável. Apelemos para as dez pessoas que mais enriqueceram com negócios da internet, afinal elas já conseguiram juntar 82 bilhões de dólares debaixo do colchão. Se pessoas como Larry Page da Google e Mark Zuckerberg do Facebook aceitassem se tornar milionários o Haiti poderia receber a cada um dos três anos de reconstrução uma quantia 4 vezes maior do que seu PIB original, uma ajuda quase 8 vezes maior do que o mobilizado por toda a comunidade internacional.

No Brasil a boa vontade de dez bilionários em se tornar milionários somaria 66 bilhões de dólares ao orçamento público podendo tornar os investimentos em saúde pública 2,5 vezes maior em 2011.

Se as trinta pessoas aqui citadas, que sequer chegam a lotar um ônibus, aceitassem viver apenas como milionários, muito já se poderia fazer com o meio trilhão de dólares redistribuídos. Imagine o que não aconteceria ao mundo se todos os bilionários se tornassem milionários. Ora, se no capitalismo não nos é dada a oportunidade de perguntar aos bilionários se aceitam se tornar milionários, ou se perguntados, estes são incapazes de dizer: “Sim”. Então desistamos de tentar mudar apenas uma regra e mudemos todas.

Aos que ainda acreditam que é possível reverter as convicções de um bilionário:

Carta de lançamento da CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO DA BURGUESIA: Você bilionário, faça a sua parte.

“Caros Warren Buffett (EUA – US$ 62,0 bilhões), Carlos Slim (MÉXICO – US$ 60,0 bilhões), Bill Gates (EUA – US$ 58,0 bilhões), Lakshmi Mittal (ÍNDIA – US$ 45,0 bilhões), Mukesh Ambani (ÍNDIA – US$ 43,0 bilhões), Anil Ambani (ÍNDIA – US$ 42,0 bilhões), Ingvar Kamprad (SUÉCIA – US$ 31,0 bilhões), K. P. Sing (ÍNDIA – US$ 30,0 bilhões), Oleg Deripaska (RÚSSIA – US$ 28,0 bilhões), Karl Albrecht (ALEMANHA – US$ 27,0 bilhões), Larry Page (GOOGLE US$ 17,5 bilhões), Sergey Brin (GOOGLE – US$ 17,5 bilhões), Jeff Bezos (AMAZON – US$ 12,3 bilhões), Eric Schmidt (GOOGLE – US$ 6,3 bilhões), Masayoshi Son (SOFTBANK – US$ 5,9 bilhões), Pierre Omidyar (EBAY – US$ 5,2 bilhões), Hiroshi Mikitani (RAKUTEN – US$ 4,8 bilhões), Charles Schwab (CHARLES SCHWAB BANK – US$ 4,7 bilhões), Mark Zuckerberg (FACEBOOK – US$ 4,0 bilhões), Ma Huateng (TECENT – US$ 3,8 bilhões), Eike Batista (BRASIL – US$ 27,0 bilhões), Jorge Paulo Lemann (BRASIL – US$ 11,5 bilhões), Joseph Safra (BRASIL – US$ 10 bilhões), Dorothea Steinbruch (BRASIL – US$ 5,5 bilhões), Marcel Herrmann Telles (BRASIL – US$ 5,1 bilhões), Carlos Albero Sicupira (BRASIL – US$ 4,5 bilhões), Aloysio de Andrade Faria (BRASIL – US$ 4,2 bilhões), Abilio dos Santos Diniz (BRASIL – US$ 3 bilhões), Antonio Ermírio de Morais (BRASIL – US$ 3 bilhões) e Moise Safra (BRASIL – US$ 2,3 bilhões) vimos por meio desta solicitar uma reunião para firmarmos o pacto QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

No referido pacto os signatários se comprometem em cumprir e honrar o texto:

Fica proibida a acumulação de fortunas bilionárias. Cada centavo que ultrapasse a quantia de US$ 999.999.999,99 deve ser imediatamente revertida para quem ainda não possui tal quantia, na ordem do mais pobre para o mais rico.

Seguros de que essa iniciativa marcará vossos nomes na mais significativa página da história da humanidade e certos de um retorno positivo, aguardamos a indicação de um clube de campo da vossa preferência para firmamos o referido documento.

Sem mais,

Não-bilionários do mundo.

São Paulo, 10 de março de 2011”

Pedro Ekman é socialista.

São Paulo 10 de março de 2011

Nada de novo no front

21 jan

O Tunico até falou que ia postar uns troços dele mas não postou (isso, bonito, põe a culpa no outro!). 2011 vagaroso até o momento no Cumachama.

Voto de boas festas e bom Ano Novo do Cumachama.

31 dez

Todos os anos recebemos simpáticos e anódinos votos de boas festas e bom ano novo, que se compõem basicamente da manifestação- sincera ou não – de que no ano vindouro obtenhamos sorte, amor, felicidade, saúde, dinheiro e paz – com a variante ‘muita luta’ no caso dos amigos de esquerda. Não temos absolutamente nada contra essa iniciativa esperançosa e de boa índole, e, para nos afinarmos com o coro dos possíveis contentes, resolvemos fazer nossos próprios e detalhados votos.

O Cumachama deseja a tod@s:

Sorte

Não sabemos ao certo se é boa educação ou total falta da mesma desejar sorte a alguém, não sabemos também se em algum caso na história adiantou alguma coisa, mas como é o costume, vamos lá:

Que você tenha uma jardineira ou um jardim e que o mato nesse seja de trevos de quatro folhas

Que os corpos celestes se alinhem ou desalinhem de forma que todos os charlatões falem que isso é, por algum motivo, muito bom para você.

Que todos os que dão ao signo algum significado ouçam bons augúrios por pertencerem a um determinado dozeavo.

Que a data de seu aniversário somada ao seu endereço caia quatro vezes na megasena e que você ganhe em todas essas.

Que você ganhe sempre os brindes dos pacotes de salgadinho.

Que seu time seja campeão estadual e nacional, na divisão em que estiver, e que ganhe, estranhamente, a Copa do Brasil E a Libertadores.

Que as pessoas das quais você não gosta se mudem para Porto Velho.

Que seu chefe se ausente por meses por questões familiares.

Que o PFL/DEM se mude para a Guiana.

Lembrando que, como o Cumachama lhe desejou sorte com muito mais ênfase e pormenores que qualquer outra mensagem, todos os dividendos eventuais que vierem pura e exclusivamente da sorte, como ganhar na loto ou herdar uma fortuna, deverão ter um quinto destinado a este honrado blog.

Amor e sexo

Desejamos que você encontre a pessoa ou pessoas que façam seus hormônios e receptores químicos ribombarem mais que a bateria da Peruche.

Que a moral e as leis vigentes não atrapalhem a plena realização de seus fetiches e sua sexualidade

Desejamos amor livre a todos e a liberdade de exercer esse amor onde, como e com quem quiserem.

Que seu parceiro libere finalmente aquele desejo que há tempos você tenta emplacar.

Desejamos orgasmos múltiplos e regozijos plenos a todos.

Dinheiro

Que você tenha e ganhe dinheiro, mas não muito ao ponto de você ser tentado a usá-lo com responsabilidade, ou a se sentir desobrigado a lutar pelo país, e não tão pouco a ponto de você se sentir tentado a trabalhar para crápulas como os do grupo Abril. Lembrando que o excesso de dinheiro é quase sempre suor de pobre extraído.

Saúde

Que você tenha uma saúde boa, mas não perfeita, para que possa pegar uma gripe e passar uma semaninha lendo bons romances ao invés de trabalhar. Que a doença não venha, mas que se vier que seja uma leve que afaste do trabalho mas não das capacidades mentais, como conjuntivite ou catapora.

Que a saúde boa seja não só a sua, mas a de todos, observada antes pelo prisma da prevenção do que da assistência. Que o governo do seu estado não privatize 25% das vagas do SUS.

Trabalho

Que seu trabalho seja pouco e bom. Que seja menor em quantidade e maior em qualidade.

Que seja útil não só ao seu sustento, mas a diminuição das mazelas do mundo.

Que seja não apenas bem remunerado como gratificante e bem sucedido.

Liberdade

Que você seja livre dentro das amarras do cotidiano.

Que a internet seja livre e que a Lei Azeredo não passe.

Desejamos a todas as comunidades uma rádio livre.

Desejamos a todos uma imprensa livre de oligopólios e que permita liberdade de expressão de fato, feito que só pode ser obtido através da regulação.

Desejamos a todos software livre.

Paz

Aí é mais difícil, não haverá paz de verdade enquanto existir esse sistema de desigualdade, mas que você, citando a banda carioca, saiba qual a paz que você não quer conservar para tentar ser feliz.

Felicidade

Que você seja feliz não como o final de uma comédia romântica estadunidense, mas como uma criança que se apaixonou pela leitura e encontra uma biblioteca, e que um dia toda a humanidade possa o ser também.

Festas

Que as festas sejam boas, muito boas, e que ninguém tenha as fotos mais comprometedoras para colocar no facebook, flickr ou similares.

Esses são os votos do Cumachama.

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Começar neste ano ano que puxava para o medíocre a escrever um blog trouxe diversas alegrias, sempre que aquele comichão beliscava no fundo do cérebro, a vontade de palpitar e escrever, era só ceder ao desejo e ver no que dava, a maior parte não deu em nada, mas mesmo assim, foi bom, não foi?.

Agradecemos a todos que escreveram, leram, palpitaram, repassaram, twitaram, feicebucaram ou tiveram qualquer relação com nosso cantinho Cumachama. Ano que vem tem mais infâmias, críticas grosseiras, textos rasos, textos longos e obscuros, questões mal resolvidas, somente no seu, no nosso, no Cumachama.

Amplexos e ósculos

Guilherme – Dezembro 2010

 

 

 

Uma aquarela, um nanquim, uma xilo e um desenho.

18 dez

Mais um pouco do gingado e da malemolência de Vitor,

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carro de boi. 2010. aquarela.15 x 30 cm. Vitor Flynn Paciornik

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ai o pobre, caido no chão. nanquim. 2005. Vitor Flynn Paciornik

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entrada do prédio. 2005. xilogravura de 3 matrizes. 42 x 30 cm. Vitor Flynn Paciornik

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lendo jornal. 2008. lápis de cor aquarelado. 21 x30 cm. Vitor Flynn Paciornik

WikiLeaks: O reverso do panóptico de Foucault?

15 dez

 

Hail to the Chief!

As possibilidades abertas pelas novas tecnologias das informações e comunicações (internet, celular entre outras) para a transformação social constituem todo um universo cuja superfície apenas começamos a arranhar (1). Toda a comoção, discussão e ação geradas pelos vazamentos realizados pela WikiLeaks são apenas um exemplo de um tipo de transformação que já está em curso.

O panóptico de Foucault é na verdade uma releitura mais ampla e teórica do concreto panóptico de Bentham, um mecanismo imaginado e projetado por este jurista inglês do século XVIII, no qual em uma prisão, escola ou hospício, uma torre central observa um círculo de celas bem iluminadas dispostas abaixo e ao redor dessa torre, de forma que os detentos/pacientes/estudantes não tenham como saber em que momento estão sendo observados, e se autocensurarem o tempo todo, evitando comportamentos proibidos e agindo todo de forma considerada apropriada. Para Foucault esse panóptico é uma metáfora geral da dinâmica do poder na sociedade disciplinar (a nossa), a auto-regulação opressiva seria a base desse poder.

O que alguns teóricos da relação entre internet e política estão propondo é se não haveria um começo de inversão dessa metáfora, se as TICs não poderiam potencialmente invertê-la permitindo que a sociedade civil e seus diversos movimentos passassem a também observar as elites. A primeira versão encontrada dessa idéia de possibilidade de inversão do mecanismo do panóptico vem de James Snider, comentado posteriormente por Bruce Bimber e Kelly Garrett (2).

Já Umberto Eco, em texto recente sobre os vazamentos do WikiLeaks, analisou o fato comparando-o com uma mutação do mecanismo do Big Brother, que “acontece agora, que mesmo as catacumbas dos segredos do poder não escapam ao controle de um pirata informático, a relação de controle deixa de ser unidirecional e torna-se circular.” de fato, agora não apenas “-The Big Brother is watching you!”, mas também ”- You are watching the Big Brothers!”

Idéia central é que as empresas e os governos podem passar a se comportar como se estivessem sendo observados, independentemente de essa observação estar sendo efetivamente realizada ou não. O todo-olhar se desloca do poder central, que sempre o exerceu, para incontáveis anônimos, e esta mudança pode reconfigurar em parte o próprio poder.

Além de reafirmar o que já é uma máxima, que nenhum sistema de segurança pode ser mais inteligente do que o mais estúpido de seus operadores, a internet pode ter a capacidade de transformar essa máxima no sentido de que nenhum governo, empresa ou instituição de qualquer tipo pode ser mais corrupta ou mais sigilosa do que o mais ético de seus operadores. Surge aqui, e para ficar, a figura dos whistleblowers -“ tocadores de apito”- que “apitam” ao ver algo errado ou que avaliam que deveria ser de conhecimento público na empresa, governo ou organização na qual trabalha, aliando-se a sites que se dispõem a tornar esse tipo de informação pública . Mudanças na segurança utilizada na transmissão original seja inquebrável, do tipo PGP (3), não acabam de forma alguma com a possibilidade pois o vazamento está nos operadores e não no sistema. Basta um funcionário com acesso que esteja muito descontente, que avalie que eticamente é fundamental dar publicidade aos conteúdos dos documentos ou que enseje obter lucro ou posições através do vazamento. Para efeitos práticos os três casos propiciam o mesmo resultado.

O importante a se destacar sobre o processo que ganhou notoriedade com toda esta discussão sobre o WikiLeaks, é que este não se deterá em qualquer hipótese de veredicto que colocarem sobre a cabeça de Julian Assange. Independentemente da importância de Assange, que defenderemos por princípio – seja este considerado um libertário revolucionário ou uma espécie de versão moderna de um liberal do século XIX- há todo um processo de transformação da relação das pessoas com os poderes estabelecidos que continuará. Nesse sentido tanto faz que se faça uma hagiografia de Assange à semelhança do bom nazareno que certa vez anunciou “- O que hoje é segredo um dia será gritado dos telhados”, ou que o considerem um pirata horrível que coloca em risco a segurança não só dos EUA mas do mundo como um todo.

A chave analítica extremamente personalista da imprensa é insuficiente para compreender este processo, sabemos que Assange é um militante, importante, da liberdade de acesso ao conhecimento e informação, porém sabemos também que tal e qual ele existem milhares de outros prontos para assumirem as mesmas práticas de ampla divulgação de segredos estatais e empresariais. A continuidade do processo está por hora assegurada.

Grande parte do conteúdo recentemente divulgado de atividades desenvolvidas pelo corpo diplomático estadunidense era amplamente esperado e imaginado, o que acontece é que entre a suspeição e a confirmação (os estadunidenses não negaram serem os produtores de tais documentos) vai uma distância que muita vez impede a concretização da ação política contrária. O que se destaca nos telegramas e e-mails dos americanos, mais do que o tipo geral de informação transmitida, é o tipo de informação específica sobre líderes e a forma dos detalhes e do fraseamento.  Não é que o rei esteja nu, é que há detalhes de suas vestes íntimas que são inesperados.

Existe também uma falsa visão dos que avaliam ser possível resolver esta questão de vazamento simplesmente melhorando os mecanismos de segurança. É praticamente impossível achar uma forma de segurança de arquivos que destrua completamente a possibilidade de vazamentos.

Além dos vazamentos já conhecidos, a vontade de saber que o WikiLeaks despertou pode levar a muitas outras divulgações com consequências políticas importantes, se estes dados serão vazados por funcionários que não têm autorização para tanto, ou obtidos por hackers militantes da liberdade da informação – não há como se saber com certeza – isso não influencia em muito o resultado final.  Processos políticos que geram ou geraram suspeição generalizada são por excelência alvos inatos. Exemplos destes são contas em paraísos fiscais como as Ilhas Cayman e similiares, onde lideres políticos em ofício, principalmente – mas não só – do mundo em desenvolvimento, tenham contas não declaradas de valores inexplicáveis. Assim como outros processos sob forte suspeita como os do HD de Dantas, os documentos internos da CBF, a relação de certos governos com empresas estrangeiras como a Alstom, entre tantos outros exemplos.

Para os que insistem em negar as possibilidades de transformação política gerada pela internet, um exemplo de retrospecção (4) que poderia simplesmente mudar a história do século passado. Se os crimes de Stalin, dos expurgos, massacres e perseguições aos progroms tivessem acontecido numa época de internet, dificilmente o tamanho de seu sigilo e sua abrangência teria permanecido desconhecido até o Relatório de Kruschev em 1956 (5), que gerou defecções em partidos comunistas do mundo inteiro.

As elites e governos comportarem-se como se estivessem sendo observadas pode ter consequências diversas: no que tange à corrupção os casos podem diminuir muito, ampliando a verba remanescente para investimentos efetivos em políticas públicas, na parte das empresas essa diminuição da corrupção pode também aumentar a arrecadação pública; no que diz respeito à ação internacional, a dificuldade de se manter o sigilo pode permitir maior transparência para estas políticas e menos ações que seriam consideradas pela opinião pública como “moralmente questionáveis”; e no que concerne aos mecanismos decisórios, a dificuldade de se tomar decisões que não sejam publicamente escrutinadas pode tender a aumentar os mecanismos de democracia direta.

Se esse é de fato um processo que vai levar a mudanças na forma de se exercer o poder, o que interessa saber são as possibilidades desse processo no longo prazo, até porque – se ele é um processo em disputa – cabe não só analisar teoricamente essas possibilidades, mas também desenhar ações políticas que influam e acelerem o processo.

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Este texto é um primeiro esboço sobre o assunto, críticas e sugestões serão muito bem vindas.

1-Não apenas pela existência da possibilidade da comunicação de todos com todos e da epifania iluminista de estarem os melhores produtos do fazer humano, da ciência e das artes ao alcance de todos, mas também por motivos econômicos e político-organizacionais.

2-Kelly Garrett  - “Protest in an Informational Society: A review of literature on social movements and new ICTs”. 2006. O artigo de Bruce Bimber , de 1998- “The Internet and Political Mobilization – Research Note on the 1996 Election Season” , não pôde ser consultado, porque, apesar de estar a disposição na Social Science and Computer Review – revista dentro do sistema SAGE Journals Online – esta me oferece como possibilidade o seguinte mecanismo: “Pay per Article - You may access this article (from the computer you are currently using) for 1 day for US$25.00”. Ou seja, um artigo de nove páginas, por um dia e ao custo de 25 dólares!

3-Literalmente Pretty Good Privacy, código baseado em chave aberta, decodificá-lo trata-se da fatoração de dois números primos muito grandes, os quais os principais mainframes do mundo reunidos poderiam realizar, mas demorariam uma quantidade considerável de milênios para fazê-lo.

4-Retrospecção – Termo do filósofo Bergson, afirma sobre a tendência a “relegar as realidades atuais para o passado, para um estado de possibilidade ou virtualidade”

5- Diz-se que Marighela chorou de raiva e indignação ao ouvir o relatório pela primeira vez.

Guilherme Flynn Paciornik – Dezembro 2010

 

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